23/02/2017

Divórcio e comportamento dos filhos

As crianças e o divórcio dos pais

Independentemente da idade, sabemos que as crianças, mesmo muito pequenas, compreendem perfeitamente o que se passa à sua volta.

Quando as crianças se apercebem do divórcio dos pais, passam-lhes determinados pensamentos pela cabeça, tais como: Será que os meus pais já não gostam de mim?
Esses e outros pensamentos são causadores de muito sofrimento.
A decisão do divórcio deve ser contada à criança.
Os pais deverão ter uma conversa aberta com os filhos.

Os pais devem ser suficientemente claros para evitar equívocos.
As crianças alimentam quase sempre a esperança de que se trata apenas de uma zanga e os pais vão voltar a ficar juntos.
É preciso fazer entender à criança que a realidade é diferente.

Para as crianças é menos doloroso aceitar que os pais deixaram de gostar um do outro e que se vão separar, do que sentir-se culpada pelo divórcio dos pais.
Deve ficar bem claro para a criança que os pais gostam muito dela e vão apoia-la sempre.

Crianças em idade escolar

Quando os filhos estão em idade escolar, é essencial não ceder a birras ou ser-se demasiado benevolente.
A criança já tem maior capacidade para pensar sobre o divórcio e compreendê-lo.
Mas também já sabe que pode usar a separação dos pais para os manipular, ou seja, de utilizar os pontos fracos de cada um em seu benefício.
Exemplo:"Se me castigas, vou viver com o pai".

Prepare-se para reacções de hostilidade, normalmente dirigidas ao progenitor com quem a criança vive, que pode culpar de ser responsável pela separação.
Dê-lhe tempo para aceitar a mudança.
É muito importante dedicar alguns minutos por dia a conversar com o seu filho sobre o que se está a passar, sobre os seus sentimentos e medos.


Como prevenir problemas na escola?

Avise os professores sobre a actual situação familiar.
É importante a  ajuda destes neste processo, principalmente no que diz respeito à capacidade de empatia e de saber ouvir.
Os professores devem ter em conta que o divórcio pode prejudicar o rendimento escolar da criança, além de poder estar associado à agressividade e a problemas relacionados com a atenção.

Peça-lhes para falarem consigo caso a criança mude drasticamente o seu comportamento após o divórcio  para que seja possível avaliar qual a melhor forma de ajudá-la.

O que nunca deve fazer:

O comportamento dos pais fará toda a diferença no comportamento e aceitação das crianças, perante o divórcio.

Os pais nunca devem discutir em frente aos filhos.
Trocar ofensas e acusações com as crianças presentes apenas gera confusão, sentimentos de culpa e revolta.
O divórcio é uma decisão que pode causar muito sofrimento a uma criança, mas ela certamente saberá ultrapassá-la depois de um processo normal de luto.


NÃO Esquecer a palavra NÃO

Muitos pais tentam minimizar o sofrimento causado pelo divórcio cedendo a todas as exigências da criança e mostrando dificuldade em dizer não.
Esta solução pode resultar a curto prazo, mas terá consequências extremamente negativas, como as dificuldades escolares ou problemas comportamentais.

Transformar o pai numa figura ausente.
Na infância, sentir que o pai é uma figura presente (ainda que não esteja em casa com a criança todos os dias), que protege, que é uma figura de referência e um bom modelo a seguir, que estabelece regras claras e exerce a autoridade quando é preciso são requisitos básicos para que a criança cresça com estabilidade emocional e equilíbrio psicológico.

Os pais não podem delegar nas mães todas as funções associadas à educação da criança.
Por outro lado, as mães também não podem utilizar em seu benefício o facto de lhes ser concedida a guarda da criança, optando muitas vezes por afastar o pai da criança, manipulando informações em seu benefício.

Passar por um divórcio é sempre um problema para qualquer um, mas após a tempestade também vem a bonança e é importante fortalecer a relação com os filhos.

Se os seus filhos estão em idade escolar, colabore ajudando nas suas tarefas escolares e participando nas reuniões da escola. Isso terá mais valor para o desenvolvimento da auto-estima da criança.

Decidam quais as regras e cuidados que ambos devem ter para serem bons pais porque será algo que os irá unir por toda a eternidade e a sua maior recompensa será a felicidade dos seus filhos.